Nas últimas semanas, o setor de Saúde de Machado passou por várias mudanças graças a um benefício conquistado pelo Município através do Governo Federal: o Programa Mais Médicos. A iniciativa, criada pela Ministério de Saúde, contemplou a cidade com a vinda de quatro profissionais para atuarem em unidades locais, a baixo custo para os cofres públicos machadenses. No entanto, mesmo com o privilégio (concedido também a outros 19 municípios da região), algumas mudanças tiveram que ser feitas no quadro de profissionais contratados por uma empresa terceirizada pelo Executivo, fato que gerou muitos questionamentos e manifestações por parte da população.
Devido a todo esse imbróglio e após receber algumas reclamações de populares, a reportagem da Gazeta conversou com o prefeito Maycon Willian da Silva e com o secretário de Saúde, Raphael Caixeta, a fim de obter esclarecimentos sobre os fatos.
Em um bate-papo via telefone, o gestor municipal ressaltou que entende a preocupação da população com as trocas de alguns médicos dos PSF’s (Programas Saúde da Família) dos bairros feitos pela empresa contratada para este fim e explicou que algumas situações, como a do Mais Médicos e do próprio corpo clínico terceirizado, fogem do seu controle.
“Recentemente, fomos contemplados com o benefício do programa Mais Médicos do Governo Federal. Não é um programa que criei. Então, não tem muito o que eu posso fazer. A única coisa que tenho que fazer é receber os médicos e colocá-los nos PSF’s. Já estou há pouco mais de cinco anos gerindo a cidade, e me acostumei quando dizem que tudo é culpa do prefeito, mesmo quando não tenho nada a ver com a história. E, dessa vez, a culpa não é minha. Quando é culpa minha, tenho a humildade de sentar, refletir e tentar resolver de alguma forma. Então, em relação ao programa Mais Médicos, não tenho o que fazer. Não tenho escolha. E, nos últimos dias, fiquei muito triste ao ver que estão fazendo politicagem em cima disso. Quando os médicos foram substituídos, eu, sinceramente, não sabia qual seria desligado. Tanto é que venho falando isso há várias semanas, e não há poucos dias. Não tenho poder sobre isso, porque recebi os médicos do Governo Federal, que só encaminha os recursos para pagá-los. Então, o Município faz a sua parte, que é gerir esses recursos. Cada médico custa, para o município, quase R$ 25 mil, com os encargos. Quatro médicos são R$ 100 mil por mês de economia. Não tem jeito de recusar. E se a gente recebe os médicos do programa nos PSF’s, automaticamente, outros terão que ser demitidos. Aí, vem muita gente sem saber das coisas e fala que a empresa não pode fazer isso, mas o que acontece é o seguinte: a gente não pode abrir mão de um dos princípios básicos da gestão pública, que é o da economicidade e eficiência. Desta forma, com a concessão dos médicos através do programa, com o financiamento deles partindo do Ministério da Saúde, a gente gera economia para o município e mantém a eficiência, que é eficácia diante da formação dos médicos que estão fazendo especialização em Saúde da Família, como é o caso dos que vieram pra Machado. Portanto, tanto a Prefeitura quanto a empresa terceirizada devem seguir protocolos, e é o que estamos fazendo”.
Ainda conforme o prefeito, muitas questões foram debatidas para tentar fazer os remanejamentos da melhor maneira possível, para que a população não sentisse tanto as mudanças, mas nem tudo saiu como o planejado. “A equipe da Secretaria de Saúde, junto à empresa terceirizada, tentou, de todas as formas, fazer a melhor forma de remanejamento. Até conseguimos atender uma solicitação lá do bairro Santa Luíza, fazendo uma articulação, mas tivemos que mexer em outro PSF. Porém, no geral, não teve jeito. Era meu sonho poder atender a todos os anseios da população, porque realmente entendo que os médicos criam vínculos por estarem há muitos anos atendendo a comunidade, mas não tive muito o que fazer nesses casos. Compreendo tudo isso, e me solidarizo com o povo. Não sou doido de enfrentar um desgaste desses atoa. Mas, a única coisa que tenho a dizer é que os PSF’s estão a todo vapor, com os médicos que chegaram atendendo a população perfeitamente e a Saúde cumprindo seu papel. Em breve, teremos mais novidades nas unidades de saúde municipais, e tenho certeza que as aprovações serão maiores que as reprovações e as picuinhas dos otimistas de plantão”.
Já o secretário de Saúde, relembrou que mudanças dessa natureza acontecem no município há muito tempo e não é exclusividade da atual gestão. “O Programa Mais Médico Machado contemplou o Município de Machado, pela primeira vez, em 2015. Então, desde essa época, recebemos profissionais dos Mais Médicos. E, agora, a gente foi contemplado com mais vagas, por isso que já veio esses quatro médicos através do programa do Governo Federal. A política, a legislação municipal não sobrepõe à legislação federal, e o governo não nos dá a opção de não querer mais receber os médicos depois da contemplação. Para Machado, o processo seletivo do Governo Federal contou com mais de cinquenta médicos inscritos que queriam vir trabalhar aqui. E a nossa microrregião toda também recebeu profissionais dos Mais Médicos. Logo, o direcionamento foi feito pelo Governo Federal, e os médicos distribuídos para as nossas unidades básicas de saúde. A respeito dos que saíram, todos são ligados a uma empresa terceirizada. Sendo assim, a Gestão Municipal não tem domínio sobre a decisão de quem tira, de quem fica. Quem sai ou quem entra é decidido pela política da empresa, que é autônoma pra poder fazer essas decisões”.












