Secretária de Educação e assessor de Políticas Públicas do município palestraram no 11º Fórum Mineiro de Educação da AMM, apresentando projeto pioneiro que combate epistemicídio e promove equidade racial nas escolas
O cenário educacional mineiro testemunhou um marco significativo durante o 11º Fórum Mineiro de Educação da AMM (Associação Mineira de Municípios), realizado no Expominas, em Belo Horizonte. Desta vez, não foram apenas as grandes cidades que brilharam: Machado emergiu como protagonista indiscutível na vanguarda da Educação Antirracista em Minas Gerais.

A secretária de Educação, Márcia de Paula, e o assessor especial de Políticas Públicas, Rayner Saint Clair, foram destaque como palestrantes apresentando ao estado o Projeto Ubuntu, iniciativa transformadora que tem revolucionado a Rede Municipal de Ensino ao implementar, de forma efetiva, as leis 10.639/2003 e 11.645/2008.
Mais que um projeto, uma filosofia educacional
O Projeto Ubuntu, inspirado na filosofia africana que prega “Eu sou porque nós somos”, vai além da implementação curricular. Trata-se de um programa integral que envolve formação docente, revisão de materiais didáticos, valorização da cultura afro-brasileira e indígena e a criação de ambientes escolares verdadeiramente inclusivos. Desenvolvido desde 2021, mesmo durante os desafios da pandemia, o projeto já impactou centenas de estudantes e educadores machadenses.

Em sua exposição, Márcia detalhou a abrangência do projeto: “O Ubuntu nasceu da necessidade urgente de combatermos não apenas o racismo individual, mas, principalmente, o racismo estrutural que permeia nossas instituições. Implementamos um programa que envolve desde a formação continuada de professores até a revisão completa de nosso currículo, garantindo que a história e cultura afro-brasileira e indígena deixem de ser apêndices para se tornarem centrais em nossa prática educacional”.
Combate ao epistemicídio: restaurando saberes apagados
Rayner aprofundou a análise teórica do projeto, destacando o combate ao epistemicídio – o apagamento sistemático dos saberes e contribuições dos povos africanos e indígenas: “Por séculos, fomos vítimas de um epistemicídio que perpetuou a falsa narrativa de que a história do Brasil começa com a colonização europeia. O Ubuntu confronta diretamente esta violência epistêmica, resgatando e valorizando as contribuições civilizatórias africanas e indígenas que foram deliberadamente apagadas de nossos currículos”.

“Estamos restaurando o orgulho identitário de nossas crianças mostrando que a matemática, a astronomia, a metalurgia e tantos outros conhecimentos avançados já eram dominados por povos africanos muito antes da colonização. Esta descolonização do saber é fundamental para construirmos uma sociedade verdadeiramente equitativa,”, completou Rayner.
Impacto e reconhecimento estadual
A diretora das bibliotecas escolares, Vanessa Dias, que também integrou a comitiva machadense, ressaltou o caráter transversal do projeto: “O Ubuntu permeia todos os espaços educacionais, desde as salas de aula até as bibliotecas escolares. Transformamos nossos acervos, garantindo representatividade literária e ressignificando o ambiente escolar como um todo”.

“A participação de Machado no principal fórum educacional mineiro não apenas colocou o município no mapa das boas práticas educacionais, mas também abriu caminho para que outras cidades possam replicar o modelo Ubuntu. O projeto tem se mostrado uma ferramenta poderosa no combate à evasão escolar e na melhoria dos indicadores educacionais, além de promover uma transformação social significativa na comunidade. E este evento, que reuniu centenas de gestores municipais de todo o estado, consagrou Machado como exemplo de inovação educacional e compromisso com uma educação verdadeiramente transformadora e antirracista”, complementou Rayner.









