Para que a verba necessária à construção da nova passagem seja liberada, o Decreto de Urgência feito pelo Executivo de Carvalhópolis também precisa ser acatado pela União, para, então, a Defesa Civil nacional autorize a execução do projeto
Um trabalho de muita articulação política, diálogo e até pedido de intervenções a níveis estadual e nacional vem sendo desenvolvido pelas autoridades dos municípios de Machado e Carvalhópolis para tentar solucionar o caso da Ponte dos Macacos, que caiu no último dia 12 (sexta-feira), quando um caminhão tentava fazer a travessia. As más condições da passagem, provocadas pela ação do tempo e pelo desgaste natural, culminaram na queda do utilitário e na destruição da mesma. Devido à necessidade de refazê-la rapidamente e de recompor o caminho para atender dezenas de famílias, inclusive pessoas enfermas que necessitam transitar pelo local para fazerem seus tratamentos, o prefeito de Carvalhópolis, Pedro Gonçalves Filho, o “Pedrinho Pitanga”, amparado pela Defesa Civil do município, emitiu um Decreto de Urgência e o encaminhou à Defesa Civil estadual, a fim de obter a liberação de recursos para construir uma nova passagem. O documento foi reconhecido pelo órgão e pelo Governo de Minas, que o publicaram na edição do Diário Oficial do último dia 6 (segunda-feira). Com isso, o pedido agora segue para a União, que também deverá divulgá-lo no órgão oficial nacional e, assim, conceder as verbas através da própria Defesa Civil necessárias para a edificação de uma outra ponte, de concreto e estrutura de aço.

A notícia de que o Decreto de Urgência emitido pelo prefeito Pedrinho havia sido divulgado no Diário Oficial de Minas foi dada à reportagem da Gazeta pelo secretário de Obras e coordenador da Defesa Civil de Carvalhópolis, Reginaldo Rodrigues, durante uma rápida entrevista sobre o assunto. Durante a conversa, o representante do Executivo relembrou como foi a montagem de todo o processo e as articulações feitas com colegas de Machado para elaborar o projeto de solicitação de recursos para reconstruir a passagem que liga os bairros Macacos, em Carvalhópolis, e Dourados, em Machado. “Logo que tomamos conhecimento da situação, naquela sexta-feira (12), chamei os engenheiros e os membros da Defesa Civil da Prefeitura e fomos ao local para ter noção do que a gente faria. Ao chegarmos lá, nos unimos aos membros da Defesa Civil de Machado e aos servidores da Subprefeitura de Douradinho e da Secretaria de Obras do município vizinho para fazermos os primeiros trabalhos. Durante as atividades, constatamos que uma reforma na ponte seria impossível, porque ela ficou totalmente destruída. Então, começamos a planejar a construção de uma nova ponte. Desta forma, em conversa com os colegas de Machado, assumimos a responsabilidade com a Defesa Civil de Carvalhópolis e fizemos uma documentação unindo os dois municípios. Desta forma, o prefeito de Machado, Maycon Willian da Silva, passou pra gente o poder de representá-lo, pois só assim poderíamos dar entrada através da Defesa Civil, já que eles tinham outras demandas pelo órgão, e o prefeito Pedrinho emitiu o Decreto de Urgência, assinou juntamente com o Maycon Willian, e entramos com o pedido da obra num sistema chamado S2ID (Sistema Integrado de Informações de Desastres) para ter o reconhecimento da necessidade rápida de reconstrução da passagem por parte do Estado e da União, mostrando o que aconteceu através de relatos sobre o número de pessoas que foram afetadas, o motivo pelo qual a ponte cedeu… Através dele, a gente solicita recursos financeiros à União ou materiais ao Estado. Felizmente, nesta segunda-feira (6), recebemos a notícia de que esse reconhecimento foi feito através da publicação do decreto do Diário Oficial de Minas”.
Ainda conforme Reginaldo, agora, o próximo passo é esperar que o Governo Federal também reconheça o documento e libere os recursos. “Mesmo com essa pequena vitória, seguimos confiantes de que o documento também seja acatado pelo Governo Federal e, assim, possamos seguir adiante para resolver a situação. São vários documentos que temos que providenciar, mas já elaboramos o projeto, com planilhas de custos, e está tudo certinho. Já estamos com tudo adiantado, quase 100%. Daqui pra frente, o que a gente precisa, depois do reconhecimento do Estado, que era o primeiro passo, é a resolução da questão financeira da obra, que é desenvolvida com recursos da União através de repasse do órgão específico para isso. Se a gente não tivesse o reconhecimento do Governo do Estado, teríamos que partir para um plano B, que seria os dois municípios dividirem a construção da ponte. Esse até era o nosso pensamento inicial, mas, depois, apareceram essas possibilidades de fazer através da Defesa Civil por ser mais rápido”.

Questionado sobre o prazo de execução de entrega da obra, o secretário Reginaldo afirmou que não é possível determinar um período certo, mas que tudo ser resolvido seguindo o cronograma estipulado pelos órgãos competentes. “Sobre a execução do serviço, é difícil a gente dar um prazo. Mas, normalmente, só para construir uma ponte dessas, eles pedem 180 dias ou mais. Se o pessoal tiver recordação, a nossa ponte que liga Carvalhopolis a Turvolândia ficou quase sete meses interditada. Então, acredito que, se a gente conseguir fazer todos esses trâmites pelo Governo Estadual e pelo Federal, uns oito meses”.
O secretário também relembrou que os motivos principais para a queda da ponte foram os danos estruturais provocados pelas condições climáticas ao longo do tempo. “Um dos motivos principais para a ponte cair é o período chuvoso e as enxurradas, que foram levando a ‘cabeça’ (parte da estrutura). Ela já estava comprometida quando o caminhão passou. É muito grande a quantidade de água que passa por ela durante essa época de chuvas. Ela já vinha causando alguns problemas há tempos. Daí, veio o acidente e complicou a situação mais ainda. Mas a população pode ficar tranquila, pois a construção dela vai sair, com certeza absoluta, ainda dentro desse ano. Vai ser uma obra demorada, mas que resolverá o problema de uma vez por todas”.
Com a queda da ponte, cerca de quatrocentas pessoas foram diretamente afetadas pelo problema. “Contando os dois municípios, aproximadamente, 150 pessoas de Carvalhópolis e 250 de Machado que transitam, diariamente pela região, foram lesadas. Dentre elas, quatro precisam passar por aquele caminho para fazerem tratamentos de saúde. Uma delas, inclusive, se não me engano, faz hemodiálise. Hoje, elas pegam rotas alternativas para cuidarem da saúde e cumprirem suas obrigações diárias. Enfim… é um transtorno que temos que resolver”, com Jiu Reginaldo.
Passarela provisória
Para não deixar as pessoas que transitam pela área totalmente isoladas ou impossibilitadas de se comunicarem, servidores das prefeituras de Machado e de Carvalhópolis e da Subprefeitura de Douradinho fizeram uma passarela provisória. “A gente entende que todos têm o direito de ir e vir. E, por isso, não podemos deixar as pessoas sem a possibilidade de transitar pela área. Assim, nós unimos aos servidores de Machado e fizemos uma passarela provisória para pedestres. Pretendemos dar uma melhorada para os motoristas criando alguns desvios também”, complementa Reginaldo.












