Capacitação na empresa de transportes, pioneira na iniciativa, abordou temas como racismo estrutural e comunicação inclusiva no ambiente corporativo
Enquanto o Brasil ainda busca superar séculos de desigualdade racial, empresas visionárias estão entendendo que a transformação social começa dentro de suas próprias organizações. Foi nesse contexto que uma a JFW se tornou a primeira empresa de Machado a implementar um programa estruturado de educação antirracista para seus colaboradores, em treinamento conduzido por Rayner Saint Clair, assessor especial de Políticas Públicas da Prefeitura de Machado há 5 anos e especialista em comunicação inclusiva.
A iniciativa chega em um momento crucial: dados do IBGE mostram que pessoas negras representam 55,8% da população brasileira, mas ocupam apenas 29,9% dos cargos gerenciais. No transporte, setor onde a empresa atua, a disparidade é ainda mais evidente – embora seja uma atividade com significativa participação de trabalhadores negros, estes raramente alcançam posições de liderança.
Rayner Saint Clair, que acumula experiência na implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, explica que “a educação antirracista nas empresas vai muito além de uma simples capacitação. Trata-se de desconstruir estruturas seculares que perpetuam a desigualdade. Quando uma empresa como a JFW abraça esta causa, ela está não apenas cumprindo seu papel social, mas investindo em produtividade, inovação e reputação”.
Rayner destaca ainda, o bem-sucedido Projeto Ubuntu, desenvolvido pelo Município de Machado, por meio da Secretaria de Educação, liderada pela professora Márcia de Paula. “Empresas com políticas antirracistas consistentes apresentam performance financeira 35% superior à média de seus setores, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial. Estamos falando de um diferencial competitivo real, mensurável e sustentável”.
Fábio Olímpio, diretor da transportadora, compartilha dessa visão estratégica. “Percebemos que combater o racismo exigia mais do que discursos. Precisávamos de ações concretas que transformassem nossa cultura organizacional. O treinamento nos proporcionou ferramentas para identificar vieses inconscientes e criar mecanismos de promoção da equidade racial em todos os níveis hierárquicos”.
A iniciativa tem especial significado para João Teodoro de Lima, sócio-fundador da empresa. “Ao longo de nossos 50 anos de atuação, sempre acreditamos que o sucesso nos negócios está intrinsecamente ligado ao respeito à diversidade. Esta capacitação consolida nosso compromisso com um ambiente de trabalho onde cada colaborador se sinta valorizado e tenha oportunidades reais de crescimento, independentemente de sua origem étnica”.

Na prática, as mudanças já começam a ser implementadas. Fabiana Silva, gerente de RH da JFW, detalha que “o programa nos forneceu metodologias para revisar processos seletivos, desenvolver planos e estabelecer canais de escuta ativa, assegurando que a diversidade seja um valor permanente em nossa organização”.
O caso da transportadora ilustra uma tendência crescente no mundo corporativo brasileiro. Pesquisa do Instituto Ethos com as quinhentas maiores empresas do país mostra que organizações com programas estruturados de diversidade racial registraram aumento de 35% na criatividade das equipes e 28% na retenção de talentos.
Para Rayner Saint Clair, iniciativas como esta têm poder transformador que ultrapassa os muros das empresas: “Cada organização que se compromete com a educação antirracista torna-se um agente de mudança na sociedade. Ela influencia fornecedores, inspira concorrentes e, principalmente, demonstra para a comunidade que é possível construir relações mais justas e equitativas”.
“Enquanto o Brasil avança, ainda que lentamente, na construção de uma sociedade mais igualitária, exemplos como o da transportadora em Machado, servem de farol para outras empresas que desejam alinhar excelência operacional com responsabilidade social, provando que valorizar a diversidade não é apenas uma questão de justiça, mas de inteligência empresarial”, finaliza Rayner.












